____________________________________________________________________________ marcio almeida
A vida, enfim, passa a ser só o problema.
Ao chegar mais longe, viva o passado.
O seu porvir, com otimismo, é o dilema:
decrepitude, desmemória, lance sem dado.
O que foi prazer, hélàs!, não se repete,
pior é o tempo – caminho em fuga:
o que era doce hoje amarga diabetes,
o rosto em fogo? – um canyon de rugas.
Mire-se no espelho: você é quem?, diga
a seus iguais anciãos de banco,
de filas que se empurram com a barriga,
veja: pois faltam até cabelos brancos...
Nessa idade se despede o que não pode,
o que não deve vira lei e cobra caro.
A vida pende para ser mais um Herodes:
- muito cuidado com espirros e esbarros.
Aquela pinga com torresmo, muita cautela!
Qualquer excesso, até de água, vira milícia:
o amor é o que já não se faz com ela,
maturidade é uma infância com malícia.
E vai-se em frente com a coragem em polvorosa,
mesmo porque, não minta! – é sem retorno.
Envelhecer é digno como espinho duma rosa,
fica o exemplo que, fértil, se molda em torno.
Há bobices que os pré-velhos têm nos lábios
que matracam entre dentes de resina,
não é o tempo o mestre justo do que é sábio,
mas o que a falta não permite sorte e sina.
Há todo um imbroglio de armadilhas à saúde,
que a vida ousada ou só brinquedo fez doer:
pois tecle um para lembrar bolas de gude,delete o mal que a vida
27 agosto 2009
na carreira dos enta
Postado por
manuelzinho rabelo
às
09:13
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário